Guiado pela luz de obatalá
Vou cumprir minha missão
Sou os olhos do universo
O princípio e a intuição
Guardião de todos os segredos
Da mitologia yorubá
Todo poderoso conselheiro
A sabedoria de ifá
Estrela clareou o meu caminho
A concha então revela o destino
Das mensagens de olorum o transmissor
Coroado primeiro babalawo
Eu sou a memória guardada no tempo
Passado, futuro: Presente momento
Carrego os mistérios da criação
Visão do amanhã, premonição
Agô zelador da humanidade
Que prevaleça sua vontade
Encantos e magias
Um arrastão de axé
Na umbanda ou no candomblé
Oferto a minha fé
De alma lavada e pura
Cantos, rituais e danças
Se uniram ao samba
No ilê de Cascadura!
Tem batuque de ogan, deixa a gira girar
A mão que o couro embala faz orixá dançar
Se tem farinha no mel
Traz um bolo de fubá
Oferendas para orumilá
Se você quer saber a escola que eu amo Fica ligado no que eu vou dizer, sou ciganos (eu sou) Essa paixão não tem jeito Guardo aqui dentro do peito É um sentimento imortal Vou me deleitar nessa avenida Pra ser campeão do carnaval
Líquido da vida, é alimento, é energia As gotas caíram sobre a terra, dos seios da deusa hera Eis o poder da criação Maria, que nutre, acalma, fertiliza o ventre e a alma Néctar dos deuses, fonte da pureza Tão nobre que banhava a realeza Sagrado, alimentou o mundo inteiro E demonstrando um grande gesto de amor Mãe negra, os filhos dessa pátria amamentou
Vem pra cá saborear Provar da nossa emoção Sentir o gosto de ser andanças Aqui é o melhor lugar, tá dado o recado Depois não vá chorar o leite derramado
Leite que sustenta a criança Revigora a esperança de um futuro salutar O leite com a industrialização Expandiu a produção nesse lugar Autazes é festa no meio da grande floresta
Deliciosas iguarias que aguçam nosso paladar Essência que hoje jorra na avenida Nutrindo esse povo de alegria Minha cachoeirinha é a nata do samba Comunidade onde impera gente bamba
Preceito! Minha fé pra seguir nessa estrada Odara ê! Firma firme na encruzilhada Abram os caminhos do meu beija-flor Por rotas já trilhadas no passado O tempo de tormentas que esse mar levou Revelam este novo eldorado Nas trilhas da vida, desbravador! Destino traçado, vencedor! Nos becos da solidão Moleque de pé no chão
E nessas andanças eu sigo teus passos São tantas promessas de um peregrino É crer no milagre, sagrados valores Em tantos altares, em tantos andores A vela que acende a dor que se apaga A mão que afaga se torna corrente
Nilopolitano em romaria A fé me guia! A fé me guia!
Em meus devaneios Entre o real e a imaginação Saudade persiste, insiste em passear no coração Feito um poema a beira-mar Canto pra te ver passar Me vejo em teu caminho Nessa imensidão azul do teu amor E às vezes perdido Eu me encontro em tuas asas, beija-flor Por mais que existam barreiras Eu vim pra vencer no teu ninho E é bom lembrar, eu não estou sozinho
Ê laroyê ina mojubá Adakê exu ôôô Segura o povo que o povo é o dono da rua Ô corre gira que a rua é do beija-flor